17 de junho de 2013

Implodir símbolos, sim ou não?

Maracanã - antes e depois
Estamos a um ano da Copa. Muitas obras, muitos gastos. Muitos empregos e oportunidades de negócios. Muitos contra, muitos a favor. Não vou me deter aqui nessas polêmicas. Vou lembrar de outra.

Nessa hora faço um exercício de memória e me lembro da polêmica em torno da implosão ou não do Maracanã. Várias pessoas defendiam que seria mais econômico destruir e fazer outro estádio, mais moderno. Vejam AQUI.

Eu, em principio era contra. Apesar de concordar que uma obra nova é mais barata (em principio) que uma reforma. Mas existem outros critérios e em 2001 eu já manifestava minha opinião sobre isso:

Um dos motivos porque não sou a favor da implosão de prédios em condições de uso estrutural é justamente o fato de ser muito delicado definir o que é relevante e significativo para uma sociedade. Quem define os critérios do que é ser relevante ou significativo ? Para qual sociedade ? E mais importante, para qual parcela de sociedade. Só para citar dois exemplos: O Partenon em Atenas foi transformado em depósito de munição e quase foi totalmente destruído, talvez por não ser considerado relevante e significativo para uma determinada sociedade, em determinada época. E as estátuas de Buda foram destruídas pelos talibãs por não serem consideradas relevantes e significativas para quem detém poder atualmente naquela sociedade. Então os conceitos de relevância e significância são muito relativos e dependem da cultura e da época em que se vive. Tanto a Torre Eiffel como o Centro Pompidou em Paris foram considerados aberrações, e muita gente sugeriu a sua demolição...E no entanto eles se tornaram emblemáticos com o passar dos tempos


A nossa relação de amor/ódio com futebol passam muito pelo trauma de 1950, de perder uma Copa do Mundo em casa. O Maracanã representa, para o futebol, esse momento de definição. Não é a toa que esse país por muitos anos buscou no futebol a afirmação de sua grandeza. Ganhar uma Copa, a sexta, em casa, no mesmo palco será a confirmação dessa busca? Perder uma Copa em casa, no mesmo Maracanã, nos fará buscar mais e mais? Ser espectadores de um embate de outros, em nossa casa, nos fará mais adultos como sociedade? Talvez. Coisas que um símbolo traz em si. Para isso eles existem. E por isso permanecem.




PS:Óbvio que o Maracanã, para se adequar ao novo conceito das Arenas futebolísticas, foi praticamente reconstruido. Ainda existem muitos problemas para serem sanados até 2014. Mas que ele está majestoso, está.

16 de junho de 2013

Eco Boulevard - árvores artificiais sustentáveis

Um bairro novo em Madri. A necessidade de criar espaços de convívio que estimulassem o encontro e auxiliassem o micro clima urbano, um local meio árido. Eis o mote do Projeto de Belinda Tato e sua equipe: O Eco Boulevard de Vallecas, vencedor de um concurso para estimular a região.   


"O projeto é um compromisso com o espaço público como lugar de encontro, que é a essência da cidade compacta, a cidade do Mediterrâneo".Belinda Tato
A ideia foi a construção de três grandes cilindros que funcionam como árvores. E justo para que o ambiente pudesse contar com verde e suas vantagens, que se fosse esperar pelo crescimento de árvores reais levaria muito tempo. E a necessidade era agora.
Utilizando 90% de materiais reciclados e energia solar através de painéis na parte superior, as estruturas apostam em soluções que privilegiem o encontro sem gerar resíduos ou consumir grandes quantidades de energia e verbas.

Pelo que entendi, seriam como árvores artificiais que cumpririam o papel de propiciar um clima agradável em um local de múltiplos usos até que as árvores de verdade cresçam. Aí podem ser desmontados e reciclados.
 

Utilizando ventos e evapotranspiração para irrigar as plantas, o sistema é capaz de aumentar umidade relativa do ar e reduzir a temperatura.






Um projeto interessante, sem dúvida. Não sei se esteticamente bonito, a mim parecem mais com usinas do que com espaços lúdicos. Acho que me agradaria mais se fossem involucros de fábricas ou de atividades geradoras de poluição ambiental. Mas não posse deixar de reconhecer que tem potencial.
Fotos


15 de junho de 2013

A voz do Arquiteto, onde anda?

Já passou mais de uma década e as questões ainda permanecem as mesmas, se não pioraram. Essa semana li um questionamento em um grupo do Facebook cobrando exatamente essa postura dos arquitetos. E no mesmo dia recebi e-mail do colega e colaborador Oscar relembrando essa conversa de 2001. Que continua tristemente atual. CAU, IAB, todos são chamados para responder à sociedade porque nossas habitações e cidades continuam não correspondendo às nossas necessidades.




(texto de 2001, debate na lista Arquitetura do yahoo) - será que mudou muita coisa ?)
 
O conceito de cliente é bastante amplo para o campo da arquitetura. Sempre prefiro assumir que o cliente é o usuário final de nossa obra construída, não importa quem esteja me pagando. Mas reconheço que, em grandes obras, é muito difícil ao profissional arquiteto manter contato com quem é este personagem, que na maioria das vezes é mal delineado nos planejamentos. 

Reconheçamos que, para empreendimentos que vão custar alguns milhões ou bilhões de reais e que se pretenda de uma vida útil de 30 a 50 anos (em nossa cultura descartável), o dinheiro gasto na etapa inicial (prospecção de mercado, projetos, etc) é ínfimo. Ainda somos uma sociedade que consome qualquer coisa que se lance no mercado. Mas até quando ? E para esta mudança que fatalmente virá temos que estar preparados. 


Como são poucos os profissionais que conseguem ter este contato direto com o cliente final, nos investimentos imobiliários, estatais e comerciais, este arquiteto acaba recebendo informações do investidor e a este considera como o seu cliente. E a ele trata de oferecer o seu melhor serviço, que muitas vezes se traduz por "quantos m2 podes socar neste terreno " ? E arquitetos milagreiros, ávidos por sobrevivência, acabam por oferecer os seus préstimos para perpetuar o que se vê por aí. 



E a ética onde entra ? Na sociedade em que vivemos muitas vezes a luta pela sobrevivência tem apequenado a ética, em todas as profissões. Como mudar ? A meu ver, que sou contra as soluções extremadas, tipo revoluções para mudar as sociedades, até porque elas costumam é mudar uma classe de poder por outra, a solução imediata está no conhecimento. Se temos o conhecimento necessário podemos oferecer um trabalho mais adequado à satisfação do cliente final, o que vai usar realmente aquele espaço, e convencer o investidor, que não é um bicho papão (alguns são, mas outros só querem ganhar alguma grana para também sobreviver com dignidade), que bons projetos podem ser mais lucrativos. Creio que oferecer soluções adequadas ao conforto térmico, acústico, higrotérmico, visual, tátil, antropodinâmico, segurança estrutural, ao fogo e a utilização, adequação à futura utilização, higiene, durabilidade, economia, estanqueidade e pureza do ar (só para citar as exigências do usuário expressas na norma ISO 6241, na qual existe um consenso internacional), não apresenta maiores problemas ideológicos, é só uma questão de dominar a técnica de melhor faze-lo. Digamos que seja uma questão de bom senso.



E a ética pessoal de cada um ? Bom, daí a questão é ampla, bonita e rende uma bela discussão. Porque sem ética pessoal ninguém consegue ter ética profissional. Parte do tipo de sociedade que queremos, e estas escolhas podem ser de ordem econômica, social, etc. Seja qual for o sonho pessoal de cada um, mais solidário ou mais individual, as respostas técnicas que vamos dar podem ser boas, consequentes, responsáveis.


 Abaixo resposta do Arquiteto Oscar Muller sobre o tema, na mesma ocasião


Concordo em tudo com o que escreveste, aliás com todos os teus e-mails dedicados a este assunto. Não tenho nenhuma dúvida de que, à parte qualquer conceito de ética, profissional ou pessoal, o caminho que resta disponível é a eficiência. Eficiência inclusive para abrir novos mercados, criar novas formas de atuação, e decidir quanto ao nosso futuro. A ética só pode influir na decisão, particular e de classe, em disponibilizar esta eficiência a serviço deste ou daquele interesse.

Creio mesmo que temos que achar como atender a lucratividade do investidor, mas este não pode ser tomado como único objetivo de nenhum projeto! Temos que contemplar o usuário final primeiro, depois buscar viabilidade econômica, isto sim é trabalho de qualidade.

Digo que só atender às expectativas de lucratividade do pagante não é o suficiente, pois como você lembrou, só para isso simplesmente não somos mais necessários. Esta discussão trata, na verdade, da nossa utilidade enquanto profissionais. Na luta pela sobrevivência estamos não só abrindo mão da ética, mas também da nossa utilidade. Em troca de um sanduíche de mortadela a nos saciar hoje, estamos a abrir mão de toda a possibilidade de ganha pão no futuro.

Reputo como questão de fundo a ética, pois é uma questão de postura. Ainda acredito que nosso papel é fazer arquitetura inteligente, e não apenas definir no projeto a geladeira que descongela pela Internet, o portão automático, ou entupir edifícios com webcams. Uma atitude é produtiva, outra apenas conivente. Claro que assumir a primeira depende de responsabilidade, capacidade e talento, enquanto que assumir a outra é fácil, quase que apenas aleatória, só uma questão de "jeitinho".

O caminho mais fácil, e acho que isso todos já perceberam, não serve a ninguém, não adianta nada fazer de avestruz e tentar tapar o sol com a peneira. Por mais que pareça confortável empurrar os problemas e responsabilidades para o dia de amanhã, o tempo segue inexorável, o amanhã se torna hoje, a noite cai, e o risco do apagão se torna certeza.

Há momentos em que a solução é fugir, mas também há outros em que fugir de nada adianta.


Oscar Muller


14 de junho de 2013

Zetética - a capacidade de questionar

Fonte
Essa semana estava envolvida em uma discussão debate no Twitter e fui apresentada ao conceito de Zetética. Confesso que nunca tinha ouvido falar, afinal é uma teoria mais ligada ao campo jurídico.
"A Teoria zetética do Direito pode ser entendida pela oposição à Teoria dogmática do Direito, onde determinados conceitos e fatos são simplesmente aceitos como dogmas. Em oposição, a zetética coloca o questionamento como posição fundamental, isso significa que qualquer paradigma pode ser investigado e indagado. Qualquer premissa tida como certa pela dogmática pode ser reavaliada, alterada e até desconstituída pelo ponto de vista zetético. "

"A palavra "zetética" possui sua origem no grego zetein que significa perquirir, enquanto "dogmática" origina também do grego dokein, ou seja, doutrinar".wikipedia


 Mas eu me identifiquei bastante. Bem mais do que com um posicionamento dogmático. Por natureza não tenho vocação para me apegar ferrenhamente a um ideia ou ideias, e segui-las dogmaticamente. Gosto de uma visão mais abrangente, gosto de ler sobre tudo, gosto dos questionadores. A verdade é um conceito muito sutil e, para mim, depende do ponto de vista do interlocutor. Mas isso também não é dogma. 

Só porque alguém escreveu algo  e isso se tornou moda, se tornou verdade, se tornou religião, doutrina, etc, não quer dizer que seja verdade absoluta. A vida caminha, o que serve para mim, pode não servir para outra pessoa.     
E se penso assim na vida em geral, isso se reflete nos meus trabalhos e no que acho bonito. Me lembro de outro debate essa semana sobre o uso ou não de forros escuros. Gente, o teto de meu quarto é marrom. Pintei assim uma dezena de anos e gostei. Me dá uma sensação de aconchego. Mesmo que já tenha passado a moda deles, ainda serve para mim.  

E separei alguns exemplos, inclusive em dormitórios infantis onde ele funciona super bem. Não sigo uma posição dogmática em arquitetura. A escolha das cores e revestimentos segue um conceito que é individual a cada cliente e programa. E ousadias são bem vindas sempre. Como na vida.
 Então, entre o questionamento e a doutrina fico sem dúvida com o primeiro. Nem que seja para ratificar o que eu já pensava sobre o assunto. Por isso sou a favor das democracias, sou a favor de ter várias versões e opiniões para que possamos formar a nossa. Com mais conteúdo e consistência.
Fonte

13 de junho de 2013

Pavilhão premiado para ioga


Um belo pavilhão, o South Pond, para praticar ioga entre outros usos é o premiado projeto do Studio Gang Architects para o Lincoln Park Zoo

Localizado em Chicago esse parque ao redor de uma lagoa proporciona que o visitante passe por vários espaços que lhe mostram diferentes habitats, flora e fauna. E nada mais integrado à essa proposta que a construção desse pavilhão que foi buscar inspiração na casca da tartaruga. 

A estrutura em madeira laminada pré-fabricada com fechamento em "casulos" em fibra de vidro formam um espaço fluído e multifuncional. No vídeo abaixo pode-se acompanhar não apenas a construção, mas também o uso. E principalmente as mudanças de luz e sensações com o correr do dia.


Esse projeto ganhou vários prêmios, entre eles o 2011 Best Small Structure Award (Magnusson Klemencic), Structural Engineers Association of Illinois; 2011 Honor Award, Distinguished Building, AIA Chicago; 2011 American Architecture Award, Chicago Athenaeum; 2010 Innovative Design Award, WoodWorks; 2010 Patron of the Year (Lincoln Park Zoo), Chicago Architecture Foundation

"Materiais que consomem menos energia e painéis solares deveriam ser parte do todo, e não a ideia central. Para mim, arquitetura é algo que envolve uma ideia completa, e a sustentabilidade deve ser uma constante."
 Arquiteta Jeanne Gang

Fonte
Leia AQUI matéria sobre arquiteta Jeanne Gang na FSP



12 de junho de 2013

Casa de chá em bambu

Quando analisamos um projeto arquitetônico um dos primeiros passos é entender o seu uso, a que se destina e o que representa para a sociedade e/ou local onde se insere. Sem entender o conceito do projeto, toda crítica se torna meio vazia.

A Cerimônia do Chá na China se reveste de uma simbologia que transcende o ato de simplesmente tomar um líquido. Seu espírito pode ser traduzido em palavras como “paz, respeito, harmonia, pureza”. E nada mais coerente com esse conceito que essa linda casa de chá na China, toda feita em bambu.
O escritório HWCD, com atuação no Oriente e no Ocidente é o criador dessa casa de chá feita em bambu.E segundo o site da empresa, o seu trabalho é "guiado por uma crença de que a qualidade do nosso ambiente tem uma influência direta sobre a qualidade de nossas vidas, quer seja no trabalho, em casa ou na esfera pública. Aliado a isso é um reconhecimento de que a arquitetura é gerada pelas necessidades das pessoas - material e espiritual - e uma preocupação com o contexto físico e da cultura e clima do lugar.

"Acreditamos que em um mercado cada vez mais globalizado, a arquitetura deve se beneficiar de uma resposta contextualizada que reconhece a especificidade cultural e ambiental da sua região." HWCD
Nesses nossos tempos de tanta coisa parecida em Arquitetura, edifícios que poderiam estar em qualquer local porque na verdade não tem identidade com o entorno, mas com tendências ou modas globais, é salutar ver projetos que se inserem na sua região, traduzem uma visão local e por isso mesmo se tornam globais.





http://www.designboom.com/architecture/hwcd-bamboo-courtyard-teahouse/

11 de junho de 2013

Movimento Viridiano - aprendendo a desapegar de objetos

Já falei aqui sobre a nossa relação com os objetos e de como é importante aprender a viver com menos e com mais simplicidade e desapego. Esses dias eu li uma postagem deliciosa sobre como viver com menos e quando o pouco é suficiente.

Confesso que tenho alguma dificuldade de me desfazer de muita coisa e por isso achei bem interessante quando me falaram do Movimento Viridiano , que foi criado por um escritor de ficção científica chamado Bruce Sterling. A preocupação é com o acúmulo de coisas que não precisamos e a máxima que seguem é a valorização de objetos que usamos mais tempo. Ou seja, uma cama que usamos bastante durante o dia, vale mais que o carro que usamos menos. E tem sua lógica. 

A dica deles é separar os objetos em quatro categorias:

  • as coisas belas
  • as coisas emocionalmente importantes
  • as ferramentas e aparelhos que são úteis e eficientes 
  • O resto
E após separar, manter as três primeiras e descartar o resto. 
Será que eu consigo? Nas duas primeiras com certeza minhas caixas serão imensas porque muita coisa é emocionalmente importante para mim. Talvez fosse o caso de fazer uma terapia de desapego primeiro....

10 de junho de 2013

Poluição urbana é caso de saúde pública


Cities

Cities por lenarastein 

Li uma entrevista do Professor Paulo Saldiva sobre os problemas causados pela poluição urbana. Que eles são grandes, todos sabemos, mas ao olhar em forma de números nos assustamos mais ainda porque eles vem aumentando ano a ano. E são fruto de nossas escolhas como sociedade.
Um dado estarrecedor é que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a poluição urbana é a causa da morte de mais de 1 milhão de pessoas/ano no mundo. Sendo que idosos, crianças, gestantes, pessoas que tem problemas cardíacos e/ou respiratórios e camadas mais pobres que são mais expostas são os maiores atingidos.

Duas causas foram apontadas pelo Dr Saldiva como agravantes do problema: o caráter segregador da ocupação do solo nas metrópoles e a falta de políticas públicas que privilegiem o transporte público.É só ficarmos no meio de uma engarrafamento, tão comum em nossas cidades, para sentirmos isso. 
Abaixo coloco um infográfico que mostra claramente como uma sociedade que privilegia o transporte individual contribui para os engarrafamentos constantes. É só ver o espaço que ocupam carro, ônibus e bicicletas para transportar o mesmo número de pessoas. Além de comparações de custo de combustível e peso/morto deslocado. Tudo bem, a economia tem as suas razões que sabemos bem nem sempre são compatíveis com crescimentos mais saudáveis. Indústrias automobilísticas geram empregos e impostos. Muitos empregos e impostos. E isso sensibiliza as decisões políticas.Mas temos que estar atentos para outros dados porque, segundo a entrevista, o problema em saúde pública gerado pela poluição também é considerável: "Aproximadamente 12% das internações respiratórias em São Paulo são atribuíveis à poluição do ar. Um em cada dez infartos do miocárdio são o produto da associação entre tráfego e poluição. Os níveis atuais de poluição do ar respondem por 4 mil mortes prematuras ao ano na cidade de São Paulo. Trata-se, portanto, de um tema de saúde pública."

Além de políticas públicas que privilegiem um transporte público eficiente e de qualidade, outras medidas foram apontadas pelo professor como o "aumento da cobertura vegetal – que funciona como fator de redução de poluição –, medidas de readensamento urbano nas regiões centrais das cidades e políticas de incentivo aos combustíveis menos poluentes."

Vejam a íntegra da entrevista AQUI.

Algumas outras coisas podem ser feitas, na figura acima, algumas dicas para nos proteger da poluição que nós causamos em nossas cidades e que tanto nos faz mal.   

Na figura abaixo, um infográfico interativo que ajuda a comparar dados de mobilidade de capitais brasileiras. Nele se pode ver indicadores que mostram a posição que nossas cidades ocupam em estrutura cicloviária e menos mortes no trânsito, por exemplo. Isso é bom para fiscalizarmos e exigirmos mais atitudes de nossos governantes.  

E que outras atitudes podemos tomar?  Exigir políticas de mobilidade urbana eficientes, exigir políticas de prevenção à poluição do ar, de ruídos, visual. 

E nós? Refletir o que de nossas atitudes e escolhas diárias está contribuindo para agravar o problema. Usar o carro diariamente e individualmente agrava. Cortar árvores agrava. Sujar a cidade agrava (aquele papel ou batom usado jogado da janela do carro, polui sim, além de mostrar públicamente que você é uma pessoa que não é civilizada, não importa o dinheiro que tenha). Ser desrespeitoso no trânsito, nas ruas, na convivência urbana agrava. E muito. Buzinar na frente de um hospital é selvagem. Passar um sinal vermelho ou dobrar onde não pode não faz de você um cara esperto. Ao contrário, revela o quanto é burro e sem educação para viver em sociedade. Cidades saudáveis se fazem com pessoas civilizadas e inteligentes. Sejam governantes ou cidadãos. Façamos a nossa parte. 


 Fonte
Fonte

Fonte

9 de junho de 2013

Da minha janela vejo o mundo

Quem me acompanha pelo instagram ou pelo Facebook já viu algumas das fotos que tiro das minhas vistas. Tenho o privilégio de ter uma janela mágica, como disse uma amiga. Dela eu vejo o mundo. E como ele muda! Todo dia a natureza me brinda com maravilhas! 
Por do sol em Porto Alegre
Fotos Elenara Stein Leitão
As cores, o movimento das nuvens, tudo muda. Parecem locais diferentes. E tudo isso de graça. Privilégio de quem soube escolher a localização certa, o andar certo, a orientação solar certa, ou seja, minha mãe. Nosso apartamento já é mais antigo, morávamos em um um que era semi casa. Foi o da transição do morar no chão para entrar na vida de edifícios. Era no térreo e em uma esquina, mas como a rua ao lado descia, o nosso que era de fundos, já era segundo andar....Me lembro que quando minha mãe procurou um novo apartamento ela queria morar mais alto, mas até onde a escada magirus dos bombeiros chegasse....  

Já acompanhei algumas compras de apartamentos, minha dissertação de mestrado foi sobre o tema, vejo que as pessoas analisam muitas coisas. Mas algumas se esquecem desses tesouros que não tem preço. Um deles ver o mundo da janela.  
Fotos do céu de Porto Alegre
Fotos Elenara Stein Leitão

8 de junho de 2013

Ninho de amor

Fonte
Há muitos anos li um livro saboroso chamado Fragmentos de um discurso amoroso de Roland Barthes. É desses livros que a gente lê aos poucos, saboreando cada palavra, cada definição, cada vírgula e sem querer vai comparando com as que a gente fez e faz pela vida. Aos que tiveram muitos amores, eles se apresentam de tantas formas. Cada amor é único. Aos que tiveram a sorte de encontrar sua alma gêmea logo, também sabem que nem sempre se ama com a mesma intensidade todos os dias. Talvez sábio seja viver as diversidades amorosas como se fossem as descobertas da leitura. Com mente aberta, com bom humor e com criatividade.  

Com os ninhos de amor também não é diferente. Ninho de amor é todo local onde podemos amar. Amar o parceiro ou a parceira, amar a nós mesmos, amar a leitura, amar um hobby, amar a Vida.

Que é que eu penso sobre do amor? — Em suma, não penso nada. Bem que eu gostaria de saber o que é,mas estando do lado de dentro, eu o vejo em existência, não em essência. O que quero conhecer (o amor) é exatamente a matéria que uso para falar (o discurso amoroso). A reflexão me é certamente permitida, mas como essa reflexão é logo incluída na sucessão das imagens, ela não se torna nunca reflexividade: excluído da lógica (que supõe linguagens exteriores umas às outras), não posso pretender pensar bem. Do mesmo modo, mesmo que eu discorresse sobre o amor durante um ano, só poderia esperar pegar o conceito “pelo rabo”: por flashes, fórmulas, surpresas de expressão, dispersos pelo grande escoamento do Imaginário; estou no mau lugar do amor, que é seu lugar iluminado: “O lugar mais sombrio, diz um provérbio chinês, é sempre embaixo da lâmpada”.
—  R. Barthes, Fragmentos de um discurso amoroso, p. 50. 


Fonte
O gosto que tenho pela leitura é semelhante ao gosto que tenho pela arquitetura. Nas duas me fascina a descoberta, a possibilidade de imaginação. A porta que se abre para que a mente veja o além.

Não importa se é um móvel, um ambiente, um prédio. O espaço que ele encerra é amplo de magia. É repositório dos sonhos de alguém.  

Fonte
Fonte
Cruzo-me, ao longo da minha vida, com milhares de corpos; desses milhares posso desejar umas centenas; mas, dessas centenas, não amo senão um. O outro por quem estou apaixonado mostra-me a especialidade do meu desejo. (…) Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas tentativas), para que eu encontrasse a imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Aí está um enigma cuja solução jamais conhecerei: por que razão desejo eu aquele Tal?
—  BARTHES, Roland. Fragmentos de um Discurso Amoroso

Cada um desses ninhos de amor aqui colocados falam de carinho. Falam de ambiente bom de ficar. Falam de aconchego. Mais que tendência, mais que moda, amor é permanência. Amor é persistência. Amor é colocar para fora aquilo que em nós é essência. 

Um colchão jogado ao chão, um jogo de luzes, um movimento de colchas, corações de recordação. Detalhes. Arquitetura é feita de detalhes. De sutilezas. De intenções. Assim como o amor. Arquitetura é feita de conceitos. Sem eles é qualquer outra coisa, menos arte. Amor sem conceito até pode ser bom, mas não é sublime.

Fonte
É isso, seu ninho tem que expressar o seu amor. Tem que dizer alguma coisa, tem que falar emoção.


7 de junho de 2013

O Teatro São Pedro e suas mulheres maravilhosas

Porto Alegre costuma se orgulhar de sua cultura. Possuímos uma orquestra sinfônica, a OSPA. A maior feira de livros ao ar livre. Uma atuante Casa de Cinema. E o fantástico Teatro São Pedro, uma das joias de nossa cidade.

Inaugurado em 1858, esse prédio em estilo neoclássico tinha um "gêmeo" ao seu lado, que sofreu um incêndio e foi substituído por uma prédio em estilo contemporâneo  e hoje abriga o Palácio da Justiça

O prédio do Teatro São Pedro, apesar de sua importância na história cultural da cidade, foi interditado na década de 70 pelas péssimas condições.

A restauração do teatro e a sua atual conformação está ligada a um nome:  Eva Sopher. Uma mulher admirável, uma mulher plena, como ela mesma se define. 


Hoje o Teatro está renovado, foi refeito, e está sendo ampliado no projeto Multipalco. Veja mais detalhes do projeto AQUI
 
Foi nesse cenário que comemoramos o aniversário da Dóris, uma amiga virtual que tive o prazer de conhecer ao vivo nessa semana. Há um tempo atrás eu fui convidada para um grupo no Facebook. Um grupo de mulheres maduras maravilhosas (M.M.M). Na verdade eu não conhecia ninguém pessoalmente, mas como minha proposta desse ano inclui "desvirtualizar" minhas amizades, joguei minha timidez para o lado (sim, eu sou tímida, era fóbica social quando pequena, embora naquela época se chamasse isso de "xucrice"), arrumei um tempo e fui. E foi absolutamente maravilhoso. Histórias tocantes, gente de alto astral, gente que se gosta, organização de primeira, local maravilhoso. Uma tarde perfeita.    

Nas mesas ao lado, duas gratas alegrias: uma grande amiga de colégio. E só fomos saber que estávamos no mesmo ambiente mais tarde. Pelo Facebook.  E ela. D. Eva. (fiquei louca para me apresentar e pedir para tirar uma foto com ela, mas morri de vergonha. Fazer o quê? Xucrice de infância é difícil de superar...)  
As vezes a gente trabalha tanto, que acaba não se dando tempo para viver. E momentos assim de encontro são dádivas que não devem ser perdidas nunca.

Vejam aqui mais imagens sobre o Acervo Digital do Teatro São Pedro
Foto Elenara Stein Leitão
Eu tenho um particular carinho pelo entorno do Teatro São Pedro. Morei muitos anos no edifício ao lado da Catedral Metropolitana. Na foto acima podem ver duas imagens da praça, uma de 1913 e outra que tirei da sacada do Foyer do teatro nessa semana. A Catedral foi construída, as árvores cresceram, edifícios altos tomam o lugar dos casarões de antigamente. À direita da foto, ao lado da catedral, fica localizado o Palácio Piratini, que abriga o governo gaúcho.


Fontes das fotos Pinterest Wikipédia Ronaldo Fotografia Almanaque gaúcho Porto Alegre Atualizada


EVA SOPHER - 258 from Lumiere on Vimeo.

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