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26/02/2011

Livros e o tempo

Falando em livros, meu pai ganhou um ótimo : Onde foi parar nosso tempo ? 
Do jornalista Alberto Vilas, ele nos remete a um tempo em que havia tempo para coisas como escrever cartas, fazer furinhos em lata de azeite, revelar fotos rebobinar fitas VHS...e se pergunta: onde foi parar esse tempo em que não fazemos mais isso ? Me lembrei do meu tempo de estagiária em Arquitetura em que gastava um tempo ENORMEEEE raspando papel vegetal e passando cera para fazer sombra. Era um processo refinado, a gente passava durex por trás e passava cera de sapato com algodão. Ficava lindo, mas tomava um tempo danado. Isso sem falar no uso do normógrafo. Muito divertida a leitura, recomendo.
E sendo esse mais um para nossa enorme coleção de livros, separei algumas imagens de como guarda-los em um ambiente.

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25/02/2011

Organizando a biblioteca

Quero !!! Adorei esse vídeo porque todos os que lêem muito imaginam que seus livros possam se auto arrumar...





23/02/2011

Museu Fryderyc Chopin - interatividade em prédio histórico

Hoje participei do almoço Clio onde o pianista Tiago Halewicz nos contou sobre sua experiência ao visitar um dos mais interessantes museus de Varsóvia que foi reinaugurado em 2010 nas comemorações do  bicentenário de Fryderyk Chopin. A gastronomia ficou a cargo dos chefs Leonardo Magni e Liliana Andriola.
Cardápio

Entrada
Fios de repolho com cenoura caramelada, creme azedo e caviar

Prato principal
Mil folhas de pato e cogumelos ao perfume de mangerona e molho de natas

Sobremesa
Torta de queijo fresco com calda de frutas vermelhas

Enquanto degustávamos esse excelente menu fomos brindados com uma visita a um museu, ultramoderno em termos de interatividade, localizado em um palácio. O antigo palacete Ostrogski foi reformado por um escritório de arquitetura italiano  e recebeu uma série de equipamentos audiovisuais que o tornam acessível a todas as faixas etárias e tipos de público.
É possível fazer uma viagem pelo mundo do compositor de maneira autônoma e de acordo com o interesse do visitante. Um cartão inteligente serve como ingresso e chave para imensas possibilidades visuais e sonoras
Graças a diversos monitores, projetores e caixas de som, "o visitante pode seguir um itinerário adaptado aos seus próprios interesses e capacidades de percepção", explicou à AFP a curadora do museu, Alicja Knast.
O visitante ativa diferentes elementos da exposição graças a um mapa inteligente que serve como ingresso e chave, abrindo as paisagens visuais e sonoras a sua escolha. As crianças tem sala especial munida com telas táteis.
O site do museu é www.chopin.museum.
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Eu fiquei particularmente fascinada pelas possibilidades de interação que a intervenção arquitetônica proporcionou. Salas abrem possibilidades ao contato do cartão entrada, mostram vídeos, apresentações sobre vidros onde sombras tocam piano, e permitem que essas informações sejam armazenadas para que numa posterior visita se saiba o que já se viu.

Fonte

22/02/2011

Casas acessíveis para idosos

Nessa semana, no dia 24, vamos comemorar os 90 anos de meu pai. Essa é uma data fantástica e com certeza sei que sou uma privilegiada por contar com meus pais comigo. E nessa trajetória enfrentamos algumas doenças que lhes trouxeram algum tipo de dificuldade.

Minha casa, como bom exemplo de uma arquitetura e ambientação de alguns anos atrás, não foi pensada para pessoas que podiam um dia envelhecer. Nem o meu edifício. Há muitos anos atrás eu tive que colocar uma tala de gesso e ao chegar na garagem me deparei com o que ? Seis degraus entre o elevador e o piso da garagem. Subi sentada. Mas hoje meu pai tem maior dificuldade por uma séria artrose no quadril. Pensamos em fazer uma rampa, mas como ela teria que ter uma inclinação muito alta (12,5%), foi decidido que o elevador vais ser rebaixado até o térreo. Mas isso é obra para o ano que vem.

No meu apartamento tivemos que fazer algumas adaptações. As principais foram nos banheiros. Tapetes soltos sumiram, e luzes mais claras foram colocadas. A poltrona onde meu pai senta recebeu pés mais altos porque auxilia para quem tem artrose e para quem tem dificuldade de levantar. Tenho muito verde e fotos que lembram bons momentos espalhadas por onde eles ficam. Abaixo algumas dicas pessoais e de colegas para adaptar uma casa para nossos idosos. Ao lado da cama instalei campainhas para que possam chamar em caso de necessidade.
  • Colocação de barras de apoio ao lado do vaso sanitário.
  • Um descoberta pessoal, usar uma barra de apoio em frente ao vaso, no caso de banheiros estreitos, permite que a pessoa possa se apoiar para levantar.
  • Usar tapetes antiderrapantes.
  • Eliminar ou suavizar barreiras e degraus nos boxes
  • Usar barras de apoio no box e bancos para o banho. Existem modelos fixos ou móveis, a escolha vai depender de sua necessidade.
  • Usar duchinhas no chuveiro, e se for possível registros monocomandos do lado de abertura da porta do box
  • Não usar chaves no banheiro.
  • Evitar fios soltos e objetos jogados que possam causar quedas
  • Pisos devem ser sempre antiderrpantes
  • Para quem necessita usar cadeiras de rodas, procure usar rodapés altos (30 cm) 
Veja mais em http://www.casasegura.arq.br



Mas o mais importante, mais até que a arquitetura inclusiva, é saber que pessoas podem envelhecer, podem ficar mais frágeis, mas continuam as mesmas que amamos, seus sentimentos e necessidades não diferem muito dos nossos. Talvez sejam mais dependentes hoje do que eram, mas continuam nossos pais e mães (ou avós, tios, amigos...) e esperam de nós atenção e companhia. Ouvir. Ouvir muito. Perguntar pelos seus feitos, lembra-los o tanto que fizeram, mostrar nosso orgulho deles. É a nossa hora de retribuir o tanto que fizeram por nós. Arrumar a casa para eles é um dos detalhes. 

21/02/2011

PRÊMIO ECOLEO DE DESIGN

A Ecoleo, primeira revenda de madeira certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council) - Conselho de Manejo Florestal - da América Latina promoveu um concurso em 2009 para premiar o melhor projeto de design que utilizasse madeira certificada. Segundo seu catalogo, " os produtos deviam causar o mínimo impacto no meio ambiente e o uso de recursos naturais devia ser racional. Além da madeira certificada materiais complementares podiam ser utilizados desde que fossem de baixo impacto."
Categoria Profissional
1º LUGARna categoria profissional foi esse rack de  NAGIB ORRO
Foto: Marcelo Cabral

Alguns outros projetos apresentados 
Chaise longue Estaia da Pluri Ideias 



A Venilia é um vaso de parede  produzido com madeira certificada e cerâmica, criação de Rafael Alonso

20/02/2011

Greenvana Eco Store - comprinhas basicas

Fonte : Greenvana
No Facebook alguns amigos e parentes curtiram a Greenvana, e eu fui lá conferir. E achei a Greenvana Eco Store. E babei nessa bolinha para lavar roupas sem precisar usar detergentes: a  Eco Laundry Ball. Vejam o vídeo abaixo de como funciona. Já comprei uma e quando chegar eu conto como foi a experiência.





Comprei também uns produtinhos de beleza, um oleo de argan para os cabelos e um serum organico. E acho que vou comprar um desses daqui para minha gatinha. Acho que ela vai amar.

19/02/2011

Trabalhando em meio a arvores

Esse intrigante projeto abriga a sede de duas empresas em Paris - a Pons e Huot. Possui salas individuais para os diretores, escritórios abertos para os outros funcionários, sala de reuniões, sala comum de lazer, cozinha e é claro vegetação exuberante. 


Uma edificação industrial do século 19 com sua tipica estrutura em aço foi restaurada e ganhou uma unidade de madeira sólida de carvalho e os espaços individuais foram marcados por cúpulas em acrílico que formam um ambiente ao mesmo tempo individual e público, pois a transparência foi usada de maneira a garantir essa visibilidade do ambiente. As árvores Ficus Panda se harmonizam com o ambiente de trabalho, o tornando leve, humano e bonito.  


Projeto de Christian Pottgiesser - Veja seu site  AQUI

18/02/2011

Sol, luz e energia

Ontem no twitter surgiu a grande questão de quem se preocupa com o meio ambiente e gostaria de fazer a sua parte, mas de maneira compatível com o seu bolso: " Porque tudo que é sustentável em termos ambientais é tão caro?" Bem, nem tudo porque essa realidade vem mudando na medida em que há demanda. Mas ainda faltam várias iniciativas, uma delas levantada por uma adolescente de 15 anos é a participação mais ativa do poder executivo exigindo o uso de energias, materiais e técnicas mais sustentáveis em seus projetos.

Me lembrei de uma excelente iniciativa que já tinha colocado aqui no blog em 2008. É uma ONG que tem um super prático de aquecedor solar com projeto grátis ! E acrescentei um video do you tube com a primeira parte da entrevista do Augustin que é o fundador da ONG.   

Aqui pelo sul do país estamos vivendo dias de muito frio. Por um lado isso é gostoso porque podemos nos aconchegar, tomar um bom vinho tinto gaúcho - que faz bem à saúde e ao espírito. Por outro lado, os gastos com energia se tornam maiores, onerando o nosso bolso e a capacidade de geração de energia do país. Por isso me lembrei de compartilhar um site muito legal. A Ong SOCIEDADE DO SOL que desenvolve um projeto de aquecedor solar de baixo custo. É o projeto ASBC que merece ser conhecido. Esta foi uma dica do grande amigo arquiteto Oscar Muller.
postagem original em 10/06/2008

17/02/2011

Arquitetura nas entrelinhas - Isay Weinfeld

“Se eu estou fazendo uma residência e o casal pede para escolher a maçaneta mais barata possível para o quarto de empregada, eu me incomodo. Não sei fazer assim, não suporto a diferença, a discriminação. São meus valores. Tal situação mexe comigo e na hora eu perco a vontade de fazer o projeto.”
Isay Weinfeld (fonte)


Hotel Fasano Fonte      
Casa Sumaré Fonte


Bar volante, com combinação de cedro, freijó, tauari, timbaúba, aço inox, acrílico e couro Isay Weinfeld, Etel Interiores. Fonte
Interiores Modernos Fonte
Quando o arquiteto acha o seu estilo, é o começo da decadência. Não acho depreciativo pensar que não tenho estilo. Porque essa é a graça da coisa. Estilo restringe o meu trabalho porque odeio a repetição." Isay Weinfeld


16/02/2011

Inovação Inclusiva

Mudança de paradigmas. Fazer mais por muito menos para muitos. Essa a mensagem do vídeo abaixo onde o cientista indiano Raghunath Mashelkar nos mostra o que ele chama de Engenharia de Gandhi. Seus exemplos são o carro mais barato do mundo o Tata Nano, próteses e tratamentos de saúde. 

E foi utilizando um ensinamento de um antigo professor : Foque e você pode alcançar , que ele é hoje presidente da Global Research Alliance, uma rede de institutos de P&D dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. Sua ideia é que “preço baixo e sustentabilidade estão substituindo preço alto e abundância como motores da inovação.” 

Utilizando as potencialidades da cultura indiana eles conseguem vencer desafios de sua sociedade e lançar lições ao mundo.
 
AS CINCO REGRAS DA INOVAÇÃO GANDHIANA

1. Desenvolva um profundo compromisso de servir os que não estão servidos
2. Articule e abrace uma visão clara
3. Fixe metas muito ambiciosas para nutrir um espírito empreendedor
4. Aceite que restrições irão sempre existir e opere criativamente dentro delas
5. Foque nas pessoas, não apenas na riqueza e nos lucros do acionista 
Fonte Época Negócios
Leia mais AQUI 

15/02/2011

Fachadas Homeostáticas

Esse é um sistema inovador para construções sustentáveis. Essas intricadas linhas labirínticas que revestem a fachada são na verdade feitas em um material flexível que se dobra como um músculo e filtra o calor e a luz, ajustando-se de maneira natural, sem necessidade de ajustes técnicos. A homeostase é a capacidade de um ser vivo se autoregular, modificando-se, se necessário. 

A empresa norte-americana Decker Yeadon Architects usou esse conceito para criar esse novo material que reage automaticamente ao calor que recebe, dilatando-se ou contraindo-se.

Esses sistema regula as condições ambientais do edifício com baixo custo de energia


 Fonte :
http://www.plataformaarquitectura.cl/2011/02/09/fachadas-homeostaticas-para-edificios-verdes/


14/02/2011

Pensando a Arquitetura para todos


Nesse instigante texto o colega e amigo Oscar Müller fala sobre a Arquitetura Inclusiva, ou seja a Arquitetura para todos.

Como arquiteto e urbanista venho sendo instado a escrever sobre o tema da acessibilidade universal, tão em foco ultimamente. Já li bastante a respeito, e há tanta informação disponível, tantos detalhes muitas vezes repisados, que prefiro tratar o tema sobre um ângulo menos visitado, fincando um pé no real, e tecendo algumas considerações mais conceituais relacionadas com as responsabilidades dos profissionais que buscam atender a esta urgente necessidade social.

Acho mais útil comentar os aspectos conceituais, pois o que se pode ver nos espaços e edifícios públicos, me parece um desperdício do esforço na direção da melhora do problema. Dou um exemplo: o equipamento mais simples e comum que vemos diariamente, são aquelas pequenas plaquinhas metálicas em Braile, coladas nos elevadores, para auxiliar os deficientes visuais no momento de pressionar o botão correto. O baixo custo deste equipamento, ou a exigência da fiscalização tornaram estas plaquinhas nossas habituais conhecidas, entretanto, sozinhas, elas pouco auxiliam o cego.

Considere que depois de entrar no elevador, o deficiente visual pode reconhecer o botão correto pelo tato, mas depois de acioná-lo ele passa a depender da boa vontade de algum outro usuário, pois ainda que possa sentir o elevador parando, ou ouvir a porta se abrindo, não tem como identificar em que andar se encontra, a não ser que possa perguntar para outra pessoa.

As tais plaquinhas são portanto, pouco menos que inúteis, se não existirem outros cuidados, como um aviso auditivo informando em que andar acontece a parada. Entretanto, embora encontremos as tais placas na quase totalidade dos elevadores, é raríssimo encontrar um equipado com o aviso sonoro, que complementa a plaquinha de maneira essencial. Ainda sem sair deste pequeno espaço urbano, com que freqüência você, caro leitor, encontra um elevador com espelhos até o chão? Pois saiba que um espelho assim colocado é o que permite ao usuário de uma cadeira de rodas deixar o elevador no andar correto, e vendo seu caminho, para não atropelar ninguém com a cadeira...

É preciso tratar o assunto de maneira mais prática, e mais que atender todas as normas legais, o projetista deve assumir uma postura inclusiva como regra geral, considerando não apenas as deficiências contempladas pelas leis, mas também outras por ela esquecidas, mas que são também comuns na nossa sociedade.
Fonte
 
Arquitetar é verbo bi-transitivo, pouco importa o que dizem os dicionários. Arquitetamos alguma coisa para alguém, e quem incluímos neste grupo é absolutamente fundamental, tanto quanto quem excluímos. Normalmente o arquiteto leva alguns anos de prática antes de tornar consciente as opções que tomou quanto a este aspecto, mas depois que se conscientiza, reconhece com facilidade alguns indícios, tanto na sua própria estória de vida e produção, quanto no comportamento ou obra dos colegas. 

Quem incluímos ou excluímos é uma postura importante, que norteia inúmeros aspectos da nossa vida e trabalho, dos mais rudes, aos mais complexos. Como e quanto cobro, no que me aprofundo ou me especializo, o que pretendo como futuro profissional, de que formas minha atuação pode interferir no real, tudo isso e muito mais, ao mesmo tempo depende e demonstra esta postura. Há colegas que buscam incluir, e os que optam por excluir. Ocorre que muitos fatores, incluso tempo e inércia, colaboram com a tendência de exclusão, enquanto que a opção de incluir precisa ser tomada conscientemente, e se manifesta de forma extremamente particularizada... 

Autoria - Ricardo Ferraz


Todos nós percebemos a realidade que nos cerca através dos nossos sentidos. Formamos nosso modelo de mundo através deste conjunto de entrada de dados, que é elaborado segundo inúmeros fatores, incluindo vivências anteriores, e a coletânea dos códigos que aprendemos a dominar. O que chamamos de realidade, é percebido de diferentes maneiras, com muitas deficiências e especificidades particulares a cada um. São estas variáveis que definem quais relações reconhecemos, e quais não. 

Cada indivíduo tem seu modelo de mundo, e o reconhece como sendo a realidade. Este modelo pode ser mais rico ou mais pobre, tende a ampliar-se conforme a compreensão e complexidade da sociedade em que o indivíduo está inserido, e na proporção em que um e outro forem mais longevos, mas também varia conforme o meio ambiente que ambos compartilham. No modelo de mundo de um esquimó, "torneira" ou "geladeira" podem ser conceitos inexistentes, mas também há variadas gradações para "branco", ou "neve" que lhe são familiares, e que simplesmente não reconhecemos. Logo também não somos capazes de perceber nenhuma relação que envolva estes conceitos.
Dentro de um mesmo grupo social esta percepção da realidade e a capacidade de perceber relações também varia individualmente. Assim, quem não aprendeu a ler, é deficiente desta habilidade e não reconhece uma conversa escrita, que por sua vez é real para os participantes que dominam este código. Da mesma maneira que as manchas formadas pelo desenho das letras acrescentam muito pouco para o analfabeto, sons também não são capazes de enriquecer o modelo de mundo do surdo, e aquele monte de peças debaixo do capô do automóvel não esclarece para minha tia, porque o carro não funciona. 

Uma determinada florada, inseto, ou odor, podem, isoladamente ou em conjunto, trazer informações para o campesino que o urbanóide desconhece. Somos todos deficientes de muitas maneiras, inábeis para decodificar inteiramente o ambiente que nos cerca, ou reconhecer relações. Na verdade cada um de nós domina uma quantidade muito pequena delas, se comparamos com o universo disponível de alternativas, e isto não pode ser motivo de demérito ou preconceito. 

Embora não seja muito civilizado fazer uso de códigos particulares, é evidente que ninguém vai parar de se comunicar pela fala em respeito aos surdos, deixar de ler porque ainda temos analfabetos na nossa sociedade, ou não usar cores porque existem pessoas daltônicas! Pelo contrário, a evolução da humanidade segue outra tendência, busca de todas as maneiras ampliar nossa percepção e entendimento da realidade. Criamos instrumentos para amplificar os sentidos, para potencializar nossas ações, mais que isso criamos novos códigos, novas maneiras de comunicação e expressão. Evoluímos aprendendo, agregando, somando, é o caminho inverso da exclusão... 


A arquitetura, como qualquer outra realidade, também é vivenciada de maneira particularizada, e o que transmite depende da coincidência de códigos, inputs e relações compartilhadas por autor e usuário. Obviamente cada um de nós tenta agir onde é hábil, no campo das relações que reconhece (podendo ou não alcançar sucesso, o que depende também de outros fatores como talento, experiência, etc.), e deixa de agir onde é deficiente, fato quase inevitável, pois a única outra alternativa é a inação proposital ou aleatória. Também é evidente que a probabilidade de que existam mais diferenças do que coincidências entre o universo perceptivo dos personagens envolvidos é enorme. 



A compreensão deste fato assusta, pois sob esta perspectiva nossa probabilidade de acerto é ínfima! Mas não estamos fadados ao insucesso! Para começar, e é só um início, podemos nos valer de mínimos denominadores comuns, como os sentidos (pagando o preço de preconceituar excluindo os portadores de deficiências físicas), e considerando que todos os usuários podem ver, ouvir, sentir temperaturas, texturas, cheiros, etc., estabelecemos pontos de contato coincidentes, que podemos usar como referência para nortear a direção do nosso trabalho. 

Assim, posto que compartilhamos a habilidade de sentir frio e calor, podemos definir o que nos parece mais agradável, e é só a partir este parâmetro muitas vezes subjetivo, que intentamos obter conforto térmico, e assim por diante. 

Entendendo os sentidos enquanto canais de entrada de dados, já dispomos de um universo com o qual podemos trabalhar, é um começo, mas apenas isso. Há muito o que caminhar, outros mínimos denominadores comuns que podemos usar, muitas relações, códigos e experiências, prazeres, sensações e emoções que podemos ou não oportunar. O fundamental é perceber que não podemos ser exclusivistas a ponto de fazer arquitetura para quem não pode ver, ou ouvir, ou deixa de ter qualquer habilidade específica, como a de se emocionar com música ou poesia. Seria uma atitude no mínimo preconceituosa. Este pecado significa reduzir a arquitetura, diminuí-la, e a desculpa que desta forma a arte se torna mais facilmente decodificável, é apenas um erro. 
Fonte

Precisamos nos preocupar em tornar "usáveis" nossos espaços urbanos e edificações que projetamos, para todos os portadores de deficiência, de maneira que estes possam usufruir ao máximo do que estes oferecem, sem esquecer que em muitos espaços públicos, não ser proprietário de um par de sapatos já é deficiência suficiente para impedir o acesso. 

Enfim, de maneira geral, quando o arquiteto decide trabalhar para quem não tem determinada capacidade, não só exclui os que tem esta capacidade, como também elegendo uma incapacitação específica, exclui todas as demais. Isso não ocorre só neste âmbito, há quem exclua por questões sociais, econômicas, raciais, culturais, e mais um montão de coisas diferentes. Incidimos comumente em aspectos específicos deste erro, como quando excluímos quem tem a capacidade de se emocionar com a beleza da função, com o ritmo dos volumes, o desenho do caminhar das sombras e luzes, ou seja lá o que for, apenas por que nossa deficiência no domínio de alguns destes códigos não nos permite reconhecer estas relações. 


Evidente, todos temos uns poucos pontos fortes, e um zilhão de deficiências, a maioria das quais nem reconhecemos, portanto certamente vamos falhar muitas vezes, o que é perfeitamente compreensível se a intenção é acertar! Até a falta de capacidade para reconhecer o erro é desculpável, só a repetição teimosa e consciente do erro que é inaceitável.

Oscar Müller
arquiteto e urbanista
arquiteto@synapsis.org.br


10/02/2011

Ecooler - ar condicionado de maneira natural



Essa dica super bacana é do amigo e colega Wagner Goncales que mora na Holanda. 
O Ecooler, bolado pelos designers Mey kahn and Boaz Kahn é um dos ganhadores do iida Awards 2010. 


Ele é simplesmente um ar condicionado sustentável constituído de um sistema modular interligados por um conector. Essa ligação cria uma tela muito bonita e que pode ser preenchida com água em sistema fechado. Baseado em elementos da arquitetura islâmica esse sistema tem várias vantagens de acordo com o seu site:
  • É silencioso e sustentável, já que usa a evaporação como meio de resfriamento.
  • O resfriamento produzido é natural e preserva a umidade do ar.
  • Trabalha com os sentidos humanos através do som da água circulando,
  • o aroma refrescante de argila úmida, a umidade, as gotas acumulando sem sua superfície contribuem para uma agradável sensação de frescor como se fosse em uma caverna. 
  • Este sistema mantém uma ligação harmoniosa com o exterior e interior, e cria uma tela de respiração entre o homem e o seu meio ambiente
Ecooler é ideal em regiões secas e pode ser usado tanto interna como externamente, em áreas como terraços ou decks .

 

09/02/2011

Planejamento que não planeja, barranco que desbarranca...

Com esse excelente texto, o arquiteto e urbanista Oscar Müller nos brinda com reflexões sobre as tragédias anunciadas que acometem as encostas de nossas cidades, vitimas de ocupação irregulares e descaso público. Vale a pena a leitura.   
Fonte


Os dramáticos acontecimentos desta época de chuvas chamaram atenção de todos nós, mas para o olhar do arquiteto, é a ocupação da encosta, antes da chuva, a prender nossa atenção. Para nossa maneira enviesada de ver as coisas, o protagonista principal desta novela que se repete anualmente não é a chuva, mas a ocupação da encosta. Não é de se estranhar portanto, que neste mundo globalizado onde a troca de informações ocorre tão rapidamente, dois arquitetos (eu aqui em Sampa e o Wagner lá na Holanda) tenham se debruçado sobre a questão, chegando a conclusões que passo a descrever.
As questões envolvendo habitação popular nas ocupações em encostas são as óbvias, as favelas cariocas o exemplo mais conhecido de todos, e até mesmo ali os espaços comuns de circulação, que parecem o pior nestas situações, não são muito diferentes do que se vê em muitas cidades europeias, nos valorizados e charmosíssimos lugares onde a ocupação medieval não destinava mais espaço para a circulação, do que necessitava um burro de carga. O burro de carga dos nosso dias é a scooter, a motocicleta de baixa cilindrada que também se vê nas favelas, fazendo até o serviço de moto-taxi.
Ora, além do preconceito, e do tijolo baiano substituindo a pedra, não há muita diferença entre a favela e o vilarejo medieval... Ambos tem a graça do inesperado, das soluções particulares, não sofrem da mesmice urbanística impessoal dos espaços legislados, mas no Rio, ah, ali há um particular fundamental: a todo momento o transeunte se depara com uma vista incomparável, maravilha sem preço!
Agora estão instalando teleféricos em alguns locais no Rio, o que me parece excelente, podemos apostar que isto vai gerar uma espiral positiva na recuperação daqueles espaços, e a mídia expõe imagens aéreas que mostram as construções irregulares, as muitas paredes sem revestimento, a quase total falta de verde, e os malditos telhadinhos de fibrocimento, mas nada disto consegue esconder a beleza daquela topografia... A diferença aqui, se compararmos com as charmosas ocupações medievais da Europa, é que se desde a favela os panoramas são estonteantes, a visão dela pelo resto da cidade é deprimente.
Este é um dos principais valores a resgatar. A paisagem experienciada tanto por quem vê a cidade desde o morro, quanto por quem vê o morro desde a cidade.
E assim como na Europa medieval (e para generalizar, na verdade em quase tudo que é canto), o que compromete mais a segurança das edificações na típica ocupação de encosta é a água, logo a solução emergencial deve focar coberturas por um lado, e por outro o saneamento básico. Secar e drenar é o mínimo que se deve garantir para qualquer assentamento humano! Acredito até que o percentual de verba pública disponível para a construção popular cubra estes aspectos com folga, e talvez nem seja necessária a concorrência conjunta de município, estado e federação.
Agora, faça isto direito, que mais seria preciso? Pensando em sustentabilidade, uma solução desta ordem, ainda que emergencial, deve também ser permanente, resolvendo de vez a parada, e isto feito, com as circulações otimizadas, me pergunto se o restante do problema não passa a ser apenas questão cultural...
Imagine lajes sobre pilares com cobertura vegetal, acompanhando as curvas de nível daqueles morros, e fazendo a vez de teto para as moradias existentes. A chuva é retida, a água pode ser reusada, o terreno permanece seco. De cara obtém-se segurança estrutural, e recupera-se a paisagem, o maior e mais valorizado bem daquela cidade. Por cima das lajes a circulação à nível fica facilitada, ali até se pode permitir ao usuário plantar, mas só. Por baixo, segue tudo como já é, sendo facultado ao morador a possibilidade de regularizar seu imóvel, se atender às exigências de praxe, como qualquer outro cidadão.
As colunas e vigas de suporte para estas lajes, inteligentes, abrigariam a infra-estrutura necessária, intercalando entre úmidas e secas. Assim não é preciso cavar o terreno para abrigar tubulações, evitando as tradicionais demolições e remoções. Desta forma preserva-se e valoriza-se o que ali existe de melhor, e com a menor e mais necessária intervenção, obtém-se muito...
Cada edificação existente ganha com a circulação coberta, com a paisagem preservada, com a segurança e o novo entorno. Mais que isso, agora livre do embate das intempéries, deixam de precisar dos telhados, e ganham o vão útil até a laje. Os fios e gatos desaparecem, as lajes verdes recuperam a topografia, devolvendo a paisagem para a cidade, normatizando, sem perder a pluralidade, a riqueza conquistada pela ocupação paulatina, pelo processo de acertos e erros do contínuo afazer leigo, que permanece, ganhando uma nova dimensão cultural, agora cidadã.
Assim não há remoção ou recolocação, quem está fica e pronto. Minimizam-se os resíduos, posto que não se trata de demolir tudo para recomeçar do zero, ou atravessar o existente acompanhando o solo para abrigar dutos. A demolição é mínima, e o descarte ainda pode ser utilizado no próprio local. A escala permite a pré-fabricação, e aqui há espaço de sobra para otimizar tudo. Pode-se reutilizar agregados, reduzir custos exponencialmente se a produção for abraçada pelo poder público, e ainda agregar tecnologias verdes como coletores solares, reuso de água captada, etc...
Com mais um esforço mínimo de planejamento, integram-se as áreas comunitárias, as pequenas áreas de convivência, os raros vazios, e naturalmente o uso nas fronteiras com estes espaços se tornará mais utilitário, comercial, portanto também tornando-os mais susceptíveis à normatização e fiscalização. Quanto maior o vazio, tanto maior a fronteira, mais oportunidade para a exploração comercial. A especulação passa a contribuir para o desadensamento, ao contrário do usual, e a interface entre dentro e fora ganha uma tendência positiva, provocando um círculo virtuoso.
Por que não?

Oscar Müller
arquiteto e urbanista
arquiteto@synapsis.org.br

08/02/2011

Grandes ideias para espaços muito pequenos - cozinha

Passeando na web achei esse blog e essa brilhante ideia de cozinha modular dos designers Kristin Laass eEbelt Norman. Seu foco é proporcionar funcionalidade para quem precisa cozinhar em um espaço muito pequeno. Ele ocupa 1 m2 fechado e pode ser utilizado como mesa de jantar. Quando aberto revela geladeira, fogão, forno e armários ! Realmente bem bolado ! E mostra como um conceito bem estudado e resolvido pode auxiliar a vida das pessoas




07/02/2011

Sendo turista em Veneza

Vi finalmente o filme O Turista. Tirando a história obvia cujo mistério matei desde o inicio, as cenas em Veneza são absolutamente glamurosas. Assim como é glamuroso o hotel Danieli que aparece no filme. 
Localizado proximo à Praça de São Marcos o Hotel Danieli reúne três belissimos
palácios dos séculos XIV, XIX e XX.

Segundo o site Blog do Luxo o "Palazzo Danieli Excelsior, datado do século XX, teve seu interior todo reformado e re-mobiliado em 2008, com projeto assinado pelo renomado arquiteto e designer de interiores Jacques Garcia.

O mais antigo dos três palácios, o Palazzo Dandolo, é decorado por tradicionais chandeliers em cristal de Murano, colunas de mármore rosa ricamente ornamentadas, antigos e preciosos tapetes, além da elegância do trabalho em ouro presente nos tetos dos ambientes comuns. Este incrível palácio remonta ao século XIV e pertenceu à nobre família veneziana Dandolo. As portas principais deste palácio, entalhadas à mão, se caracterizam por retratar as típicas ruas de paralelepípedo de Veneza."
Acima uma de suas maravilhosas suites e abaixo uma vista esplêndida do terraço. O luxo dos luxos, sem dúvida. Conhecer Veneza, que é uma cidade única no mundo e desfrutar das vistas e aposentos onde circularam nobres venezianos é respirar um muito da história italiana.


06/02/2011

Mobilia para seu gatinho


Fonte
Se gatinho (de 4 patas) vai adorar essas sugestões de mobiliário. Eu gostei desse daí de cima. Além de parecer muito divertido para os felinos, não vai destoar muito em apartamentos ou casas mais modernas.


Fonte
Esse daqui foi outro que eu gostei demais. Ele é um sistema, tem caixas casa, tem kit comedor. Mas eu juro que fiquei tentada a pegar caixas de papelão, fazer recortes e deixar minha gatinha testar...Vocês não ?

Fonte


Esse outro é para gatos bem nascidos. Ou endinheirados. Que queiram acompanhar seus mascotes humanos com toda classe. E é um charme, não é mesmo ?
Fonte

E quem quiser dar um ar sofisticado e fazer seu gatinho feliz sem gastar muito, temos essa sugestão acima que custa algo como $113,00 e é muito interessante, sem dúvida.


05/02/2011

Banheiro charmosos

Fonte  
Achei muito charmosa essa pequena queda d'água sobre a pia. Criação de Mal Corboy Design
Outra ideia que me apaixonou por suas formas orgânicas foi essa cuba da Bagno Sasso.

Fonte
Fiquei imaginando como seria legal ver a água rolando na espiral todo dia.
Fonte 
Esse lavabo, projeto do arquiteto Leo Romano, na casa Goiabeiras, foge do obvio e por isso mesmo me encantou. Combinação de cimento, madeira e granito levigado* deram ao ambiente um ar rústico, sofisticado e aconchegante.


* LEVIGADO: é um polimento "incompleto" aplicado em granitos e mármores, com o desgaste da superfície por meio de abrasivos de granulometria grossa que confere uma superfície áspera, mas plana. Proporciona um efeito mais rústico e a pedra não fica tão escorregadia.Fonte PINIweb

04/02/2011

Construa o futuro pensando local

Hoje resolvi seguir o conselho do Tarot e fazer tudo devagar. Em geral corro da cama, faço café idem, passo os olhos no jornal e corro para o note. Parei. Fui fazer minha ginástica ao som de Bethânia, e resolvi aproveitar os minutos de Steep (aquele aparelhinho que simula caminhada sem ser esteira) para ver uma palestra do TED. Eu adoro essas palestras, aprendo muito com elas. E é uma maneira de fazer com que eu passe de 10 a 15 minutos no aparelho. Pois bem, olhem só o que achei ! Uma maravilhosa visita à Escola Verde com John Hardy. É uma escola auto-suficiente em Bali que ensina crianças a construir o futuro de maneira sustentável. Prédios incríveis feitos em bambu por mão de obra local e três preciosas lições:
SEJA LOCAL
DEIXE O MEIO AMBIENTE LIDERAR
ENSINE ALGO QUE SEUS NETOS POSSAM CONSTRUIR
. Translated into Portuguese (Brazil) by Nadja Nathan

03/02/2011

Escritório e quarto de hóspedes em espaços pequenos

Adorei esse sistema Combi Bed da Häfele para criar espaços polivalentes. Para nossos modernos apartamentos cada dia menores, nada como um mecanismo que transforme um quarto de hóspedes em escritório como se fosse um passe de mágica.


02/02/2011

Onde você trabalha melhor ?

Os novos escritórios tem sido pensados com locais de lazer, onde os empregados possam descansar nos seus horários de folga. Abaixo alguns exemplos de espaços comerciais bem agradáveis e criativos:
Fonte
 
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Mas cá entre nós, onde realmente você trabalha melhor ?
Jason Fried apresenta sua teoria sobre como os escritórios não são bons locais para trabalhar. Segundo ele, as interrupções a que somos submetidos em reuniões, por exemplo, acaba por tolher a produtividade. E diz ainda que nenhum trabalho criativo consegue ser bem feito em 15 minutos. E eu concordo. Talvez por isso muitos de nós ainda acabam por usar horas extras para poder terminar algo que poderia ser feito na rotina de um dia de trabalho. E dispensar horas de lazer para o ...lazer. Para a leitura, para ver vídeos como esses. Vale a reflexão. 
Traduzido para o português (Brazil) por Rodrigo Ferraz

01/02/2011

Projeto, pra que te quero



Projeto


Projeto por Lenara Stein no Polyvore.com

Cada vez mais vejo clientes me procurando com o prazo de execução já no limite, com tempo mínimo para  elaborar o projeto. Compreendo que o tempo é a grande commodity moderna e sigo atrás dele como todo mundo. Mas para que eu realmente possa ser a solução para o meu cliente, é necessário um tempo minimo para discussão do projeto, apara de arestas, resolução de todos os pontos necessários. Esse tempo é variável para cada problema apresentado, mas é ele que vai garantir que a execução seja rápida e sem transtornos. Porque sempre alerto, mudar no papel é fácil e barato. Mudar na obra é complicado e caro.

Portanto, se você quer tirar partido de seu arquiteto, descreva para ele seus sonhos, suas necessidades e a cada solução que ele lhe trouxer, discuta, esmiúce,  pergunte todos os detalhes de como seu espaço vai ficar na verdade. E não tema o tempo que isso lhe irá custar. Será recompensado pelo resultado final.

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